26 de jul de 2010

Chabadabadá em noticía (Resenha do Livro, no Diário do Nordeste)


Ele pode até ter saído do Cariri, mas "quedê" que o Cariri saiu dele? O livro que acaba de sair do forno, do jornalista, escritor e colunista do Diário do Nordeste, Xico Sá, alcunhado de "Chabadabadá - aventuras e desventuras do macho perdido e fêmea que se acha", é uma ode aos tipos e tradições endêmicos do sul do Ceará.

Mas a seleção de contos e crônicas, algumas inéditas, outras editadas anteriormente nas revistas Folha, Bravo!, TPM, Vogue, Continente; nos jornais Diário de Pernambuco, O Tempo, e aqui, no Caderno 3, embora carregada de sotaque, traduz situações que muita gente vive, só que bem poucas têm coragem de admitir.

Ocultando o nome em iniciais dos personagens envolvidos nos imbróglios existenciais de suas histórias mirabolantes, Xico Sá segue fazendo joça do que seria trágico, se não fosse cômico. "Minha amiga M.Y. se especializou em pegar aquele tipo de homem noturno e boêmio que não economiza nos tragos e, invariavelmente, retorna para o rancho sem condições técnicas para a conjunção carnal ou qualquer abufelamento que possa se chamar de sexo (...) No folclore baladeiro: trata-se do sujeito que a gente guarda no final da noite para comer na manhã seguinte", trecho de "Do Macho-tupperware ou O homem é um prato feito que se come frio mesmo".

Do Ceará para o mundo

O filho do Crato, "com mais uma demão nas suas peculiares tintas do exagero" lá de São Paulo, cada vez mais populariza para o País inteiro, nossos traços mais caros. E com um recurso atrativo e acolhedor: falando diretamente com o leitor.

"A cantada, amigos, é como a revolução de Mao Tsé-Tung, tem que ser permanente. Existem mulheres que a gente canta no jardim da infância para dar o primeiro beijo lá pelos treze, quatorze. Mas é necessário que a cante sempre, não aquela cantada localizada, neoliberal e objetiva, falo do flerte, do mimo, do regador que faz florescer, como numa canção brega, todos os adjetivos desse mundo".

Mas, além das pérolas auto-escrachadas que dão o tom da brincadeira literária, o que também chama atenção no livro são as pinturas em guache de José Luiz Benício, o famoso ilustrador dos cartazes de cinema, de filmes da pornochanchada, nos anos 70, que traz tensão e força para os textos.

No novo livro, Xico Sá abusa das análises psicanalíticas a respeito do amor feitas nas mesas dos bares. "Nada mais cruel para o amante da tua mulher que presenteá-lo com o pão com manteiga do dia a dia. A rotina é o cavalo de Troia do amor".

Boêmio assumido, o autor lava a roupa suja da patuleia em praça pública, criando nomenclaturas caricatas que divertem, despertam o prazer da leitura e, de quebra, rebolam "nordestinês" para todo lado.

Tipos

Entre os tipos descritos, o Homem-bouquet, aquele "tipinho que não perde um programa especializado na tevê, entra em sites franceses do gênero, reúne os amigos para encher o saco com o tal bouquet, o sabor e o aroma amadeirado. Ou o Homem-ONG ou homus-oenegê, que "é o que há de mais maçante nesse mundão sem porteira... Está sempre morto de decepcionado com o governo... Mesmo que sua entidade não governamental encha as burras, lave a égua no brejal mais público".

O parceiro musical do grupo Mundo Livre S/A, e ator do clipe da música "Tenho", do cantor Sidney Magal, hoje, também é colunista dos jornais Folha de S. Paulo, Diário de Pernambuco, Correio da Bahia; faz parte da bancada do programa "Cartão Verde" (TV Cultura) e Notícias MTV; mantém blog e twitter, e ainda é autor de "Modos de Macho & Modinhas de Fêmea", "Catecismo de Devoções", "Intimidades e Pornografias", e do romance "Caballeros Solitários Rumo ao Sol Poente".

Um comentário:

Anônimo disse...

Macho que é macho não lê "50 tons de cinza" É chabadabadá na molera.